quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sobre a riqueza e como lidar com ela
Swami Dayananda Saraswati

Dentre aqueles que compreenderam os Vedas, chamados viprendras, existem alguns que, permanecendo nesse conhecimento, agindo desde a perspectiva da consciência e aplicando os valores fundamentais, vivem neste mundo.
Todos temos olhos, mas cada um vê o mundo com um olhar diferente. Num supermercado, olhe para as pessoas. Veja como elas se posicionam. Quem fica escolhendo os shampoos? Aqueles que têm cabelo. Um careca não tem o mínimo interesse no shampoo, pois não tem nenhuma utilidade para ele. Outras pessoas buscam pentes. O careca não está interessado nos pentes, pois não tem um uso para dar para eles. Estas constatações são muito interessantes.
A atitude de aceitação das pessoas como elas são, é muito importante. Até mesmo aqueles que dizem não se importar com o futuro tem que pensar no futuro. As pessoas vivem para satisfazer suas necessidades básicas (annapanam). Eu já vi gente tornando-se sannyasin e ainda preocupando-se com o futuro. Já vi uns dandi swamis, daqueles que somente podem mendigar comida em casas de brahmaŠas, extremamente preocupados com o futuro e com o problema de conseguirem comida para se alimentarem.
É necessário aceitarmos com gratidão aquilo que vem para nós hoje. Não dê tanta importância aos detalhes. Não pense tanto em como deveriam ser as coisas ou como você gostaria que elas acontecessem em sua vida. Aceite tudo o que vem para você como um presente de Ishvara.
Os esquilos acumulam sementes para o inverno. Somente para o próximo inverno. Nunca juntam para 10 invernos. Na busca pelo conforto e a riqueza, nós deveríamos pensar e agir como esquilos. No entanto, alguns humanos juntam comida para séculos, juntam riquezas como se fossem viver eternamente. Isso acontece porque as pessoas não acreditam em si mesmas, nem confiam no futuro. Eles pensam que seus filhos serão incapazes de providenciar riquezas para si mesmos. Eles não confiam na capacidade dos seus próprios filhos.
Essas necessidades básicas deveriam ser consideradas objetivamente, com os pés na terra. Para manter o corpo funcionando nesta jornada (yatra sharira). Há uma trajetória que o corpo faz, e um conjunto de necessidades que ele tem ao longo da vida. Essa vida tem um objetivo que não deve ser esquecido: moksha.
As aflições do corpo deveriam afetar somente o corpo. Quando elas invadem o psiquismo, estamos dando a essas aflições uma importância que elas não têm.
Texto anotado e traduzido por Pedro Kupfer a partir de uma palestra de Swamiji proferida no Ashram de Rishikesh, em março de 2006.
http://www.yoga.pro.br/artigos.php?YogaId=ab47095604fc67a29d515c0f7380367c&cod=792&secao=3019

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