sábado, 28 de novembro de 2015

As coisas mudaram na minha vida. Radicalmente.

Agora sou mãe. De uma menina que é um raio de luz na minha vida. E tudo mudou, aquele velho clichê, de que nada será como dantes no quartel de Abrantes após o nascimento do primeiro (aqui suspeito que único) filho. E sendo assim dito, assim aconteceu. Tudo mudou. Muito. Demais.
Idos de 2013. Eu, com uma endometriose recalcitrante que muito me atrapalhava a vida, resolvi ir ao médico ginecologista e exterminar a dita que assolava minha paz mensalmente: cólicas absurdas. O que me incomodava, de fato, a esta altura do campeonato com já com 39 anos e muitos quilogramas acima do peso eram as cólicas desmesuradas que tinha no período que antecedia e no transcurso do período menstrual. A dificuldade de engravidar, aos 39 anos e muitos quilogramas a mais, já nem era mais o cerne da questão. A ida ao médico rendeu um tratamento para o meu caso. E era cirúrgico. Ok, vamos lá, aos exames preparatórios para realizar o procedimento cirúrgico. A endometriose, tem como um dos sintomas, a irregularidade menstrual. Eu pensei: como responsável que sou, já que vão raspar meu útero para limpar o endométrio (parede interna do útero com tecido fibroso - a tal endometriose), e mês passado tive só 1 dia de ciclo menstrual, põe aí um beta HCG (para quem não sabe, teste de gravidez). Eu não tinha pretensão nenhuma com isso não. Só consciência tranquila. Até porque depois de mais de 10 anos de casamento e uns 3 alarme falsos, a coisa tinha perdido um certo 'glamour'. Fiz por critério. Mesmo. Consultei o resultado dos exames pré-operatórios no site do laboratório no computador do trabalho mesmo, a tela com o resultado abriu ao mesmo tempo que o telefone da minha mesa tocou e atendi uma colega de trabalho para dar orientações quanto à uma solicitação interna. E nesse minuto, quando visualizei o POSITIVO, o mundo começou a girar em uma velocidade infinitamente menor. A voz da colega ao telefone ficou em segundo plano, longe, e eu completamente em transe. E agora. Choro? Rio? Paro a medicação contínua que tomo? Será que faz mal? Ligo para o marido? Ligo para minha mãe. Surto? Nenhuma das alternativas anteriores? Peguei o celular e fui para fora do prédio tomar ar e ligar pro marido. Enquanto digitava o número do celular dele andava em círculos. Ele atendeu. Eu gaguejei. Estou grávida, falei. E fiquei muda daqui. E ele dali. E ele riu, e achou que era brincadeira (porque, como disse, foram alguns alarmes falsos). Comecei a chorar. ELE começou a gaguejar. Sério, perguntou. Sério respondi. Estou muito feliz, muito feliz, meu amor, ele disse. Conversamos mais coisas, agora nem lembro. Desliguei, liguei para minha mãe. E com ela chorei. De pânico. Estou muito velha, mãe, não vou dar conta. Vai sim, filha, vai. E foi. Isso já faz 2 anos e 2 meses. E minha vida agora é luz, amor e caos. Com um bebezinho muito amado de 1 ano e 4 meses chamada Marina. Que fala mãmãmã, pepei, ácua, auau, aiai (dodói), que gruda nas minhas pernas quando se sente insegura, que ri de alegria quando vem mamar na tetê (sim, amamentação prolongada, com muito orgulho, assunto para outra postagem), que vigia a hora do pai ir trabalhar, que dá bronca no goo (tai goo - sai magoo, nosso cachorro maluco hiperadrenado), que aponta para todos os bebês e crianças de colo e diz "Nenê", que chora até perder o fôlego com a maior facilidade...ai gente, são tantas coisas, tantas pequenas grande alegrias. Ser mãe para mim é viver tudo isso e muito mais. É achar que só a mãe (você) sabe resolver tudo e ao mesmo tempo entrar em pânico achando que não vai conseguir dar conta de tudo. É chutar o balde para a limpeza/organização da casa para contar historinha para seu filho. É ser mestra na arte de cozinhar em 30 min algo NUTRITIVO para seu filho comer. É não dormir porque ele não está legal ou febril. É não dormir porque você tá cansada demais e a mente ainda continua um turbilhão. Ou é apagar com a roupa do corpo depois de amamentar por exaustão. Mas acordar feliz no dia seguinte só porque ela acordou, olhou nos seus olhos e sorriu. E a vida segue. Totalmente diferente. Totalmente especial. #mãeaos40 #endometriose #sermãe

domingo, 3 de janeiro de 2010

2010

Contemplar.
Medida e palavra de ordem em 2010.
Meditar.
Vagar o pensamento. Tudo. Nada. Ao mesmo tempo.
Renovar. Respirar. Revolver. Revolucionar.
Um 2010 excelente para vocÊ.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A poesia como divã

[...]Não tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição do meu fazer poético.[...]

Carlos Drummond de Andrade
Trecho de entrevista concedida para o Jornal do Brasil e que foi publicada no suplemento Idéias, de 22 de agosto de 1987 (cinco dias após a morte de Drummond.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vida de mulher casada

Sabe aquela história típica das diferenças entre homem e mulher? Pois é.
Não porque seja um grave acontecido, pelo contrário, é daquelas coisas que você vai relevando, todo dia um pouquinho. Até que, esse pouquinho, fica enorme.
Sempre sou a última a deitar. Acredito que como toda mulher.
Mas hoje estou sem paciência. E para exorcizar meus demônios e não acabar enforcando o primeiro cristão que eu encontrar, resolvi escrever.
O digníssimo chegou em casa, com queixa de cansaço e dor de cabeça. Sentou no sofá desde que cheguei - antes estava no computador - e ali ficou. Tava mais para corrida de lesma no sofá que propriamente sentado. Sabe quando a pessoa senta escorregando? Fixou a imagem? Foi isso aí.

Enquanto isso, eu janto, lavo a louça, dou uma organizadinha nas coisas na cozinha - e ele continua ali.
Boto a máquina de lavar roupa em um ciclo rápido, recolho a roupa seca - e tudo igual na arena das lesmas.
Não me aguento e falo: - Se está com dor de cabeça ao menos deverias te cuidar! Vai tomar um remédio, um banho, se apruma!.
E ele faz exatamente o que mando. Se apruma e avisa: estou indo deitar.
Rapidamente, olho para os lados, vejo a roupa por dobrar, a máquina terminando de bater e respondo: - E eu vou continuar aqui.
Nessas horas lembro que não tenho filhos - e me dá paúra pensar em tê-los.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A vida como ela não é



Tomando uma xícara de chá, olhou pela janela, contemplando o jardim, em profundo estado meditativo. Às vezes a solidão faz você pensar em coisas que, se fossem situações normais, nem lhe passariam pela cabeça.
Na verdade, tanto faz se a solidão é voluntária ou não - a única certeza é que faz sua cabeça trabalhar em novas idéias. Destas, algumas nem sempre são produtivas e outras tampouco aceitáveis socialmente.
E assim, uma simples dona-de-casa desfila no seu imaginário situações inusitadas para a vidinha que leva.
Algumas vezes se imagina vestida para uma festa - com aquelas jóias maravilhosas que viu naquela joalheria chique semana passada. Outras, sendo levada por um choffer (sim, porque motorista chique é em francês). Há também os momentos em que se imagina diva, de óculos escuros, na janela, tomando chá e olhando para o jardim, tentado ignorar o papparazzo que tenta flagrar sua intimidade.
Hoje, estranhamente, não imagina nada. Nadinha. Hoje ela é somente uma dona-de-casa na janela tomando chá. Sua mente está desabastecida de idéias.
Acho que gastei todas - pensou.
E assim, com o pensamento em branco, decidiu sentar no seu sofá predileto e assistir um pouco de televisão, como que para preencher aquele espaço excepcionalmente vago em seu cérebro.
Ligou a TV e, controle remoto em uma mão e xícara de chá na outra, sentou e fixou o olhar no canal predileto.
A programação não era das melhores. Assistia um filme morno e cadencioso quando pegou no sono.
Passado algum tempo, sentiu-se sacudir por uma mão urgente até que ouviu: - Vamos, ja está quase na hora do espetáculo!
Foi então em um pulo que tirou o roupão e as pantufas, subiu no salto e conferiu a maquiagem no espelho. Fazendo vento, disparou do camarim ao palco, com um sorriso confiante no rosto em direção ao seu público.

Flores de ferro











Não que não amasse as flores, isso não era verdade.
Gostava e muito.
Mas as flores lhe lembravam alguém e esse alguém as adorava.
Talvez precisasse apenas dissociar as flores desse alguém.
Que apesar de delicada como elas
Pareceu-lhe que era de ferro
Quando estraçalhou o amor em seu peito.

2009/08/31

domingo, 30 de agosto de 2009

Poeminha Bunda


Ilustração de Milton DaCosta

Se rego a flor
ou no seu rego
a flor tatuada
Regaço, recanto,
redondo reluz,
à luz da lua.
Segunda lua cheia.

Florianópolis, 24/fev/2006